Muito mais que rádio
Essa história começa com equipamentos montados à mão em 1949 e chega até a primeira rádio 100% em vídeo do Brasil. No meio do caminho: um cinema lotado, anos difíceis, um homem que vendeu imóveis pra manter Canela no ar, e uma família que segue no comando até hoje.
Canela ganha uma voz
No dia 9 de dezembro, a ZYU-27 entra no ar pela primeira vez: 1.510 kHz e apenas 100 watts de potência. Nada era comprado pronto. Semílio Munaretti, eletrotécnico e inventor, lidera o sonho, e Antônio "Luizinho" Wender fabrica os equipamentos com as próprias mãos. Uma rádio literalmente construída em Canela, pelos canelenses.
Oficialmente no ar, direto do cinema
Com a licença federal na mão, a programação oficial estreia às 10 horas de 21 de maio, no Cine Marabá. No mesmo ano, Semílio escreve uma carta ao presidente Getúlio Vargas pedindo mais potência, e instala torres de cata-vento que serviam de antena.
A era do rádio de auditório
Sob a direção de Carlos Adyr Selbach, o Matinal Domingueiro U-27 vira febre: grandes nomes do rádio regional, calouros da cidade e um cinema que ficava pequeno demais pro público. A solução? Alto-falantes do lado de fora, pra quem não conseguia entrar.
Os anos difíceis
Com Otto Albuquerque na direção, a Clube atravessa o período mais duro: o regime militar impõe regras rígidas, as transmissões externas quase desaparecem e os equipamentos envelhecem. A rádio resiste, mas chega ao fim dos anos 70 por um fio.
Pedro Dias não deixa a rádio morrer
O empresário Pedro Raymundo Dias compra a emissora quando o transmissor de 100 watts mal alcançava Gramado. Pra ele, Canela não podia ficar sem rádio. Começa ali uma reconstrução completa: equipamentos, programação e a reconquista da audiência, ouvinte por ouvinte.
Dez vezes mais potência
Autorização federal e um salto: de 100 pra 1.000 watts. O som da Clube deixa de ser só de Canela e passa a cobrir a região. A rádio vira ZYK-223, em 1.320 kHz, e se consolida como a emissora regional.
Nasce a 88.5
Depois de anos de articulação em Brasília, a Clube FM 88.5 entra no ar. Pedro investe 70 mil dólares em equipamentos de última geração, e chega a vender imóveis pessoais pra bancar o projeto. Valeu: ouvintes relatam o sinal chegando limpo até Porto Alegre e a praia de Cidreira. A programação já rodava informatizada, com uma discoteca de mais de 5.000 discos.
A nova geração assume
Lucas Dias, neto de Pedro, e Bárbara Müller Dias assumem a Clube com uma missão: traduzir 67 anos de história pra era digital. Novos estúdios, câmeras, streaming, redes sociais e uma grade repensada. O legado continua, agora em vídeo.
A rádio que você vê
A Clube 885 é a primeira rádio do Brasil a transmitir 100% da programação em vídeo. No FM, no site, no YouTube e no app: a Serra Gaúcha não só ouve a Clube. Ela assiste.
Causos da Clube
Histórias que só uma rádio de 77 anos tem pra contar.
Tempo bom... para a agricultura
Pedro Dias abre o programa num estúdio sem janelas: "tempo bom em Canela!". O técnico sinaliza que está chovendo. Sem perder o ritmo, ele emenda: "tempo bom para a agricultura..."
A rádio na praça
Nos anos 50, os estúdios ficavam na praça João Corrêa. Curiosos paravam na porta só pra ver o locutor falando ao microfone e o operador trocando os discos. Muitos ficavam horas ali, olhando.
Alto-falante na calçada
O Matinal Domingueiro lotava tanto o Cine Marabá que sobrava gente do lado de fora. A solução foi instalar alto-falantes na rua, e a calçada virava plateia.
Quem fez a Clube
Gerações que colocaram e mantiveram Canela no ar.
77 anos depois, seguimos ao vivo
A melhor parte dessa história é que ela continua agora, em vídeo.
Assistir a Clube ao vivo